Padarias cortam custos para enfrentar a redução de gastos pelos brasileiros

Fabricantes de alimentos essenciais são obrigados a cortar custos e se adaptar à recessão. Setor eliminou 3 mil vagas

Marinella Castro (Estado de Minas)

12/04/2016

Quem fabrica alimentos, que chegam diariamente à mesa do brasileiro, também não escapa do pessimismo. A indústria da panificação está cortando custos para enfrentar a redução de gastos pelos brasileiros e para fugir da tesoura das famílias que estão eliminando produtos considerados supérfluos. Para diminuir custos de produção, o mix das padarias vem sendo modificado, ao mesmo tempo em que comidas de maior valor agregado são introduzidas no cardápio, numa tentativa de dar volume ao caixa, e as empresas tradicionais aderem até ao churrasquinho, item barato do ponto de vista das despesas internas, mas apreciado pelo brasileiro e que pode fazer girar o negócio.

 

No ajuste, o trabalhador da panificação, desde o ano passado, está enfrentando a crise às custas da perda do emprego. Em Minas, o setor estima que cerca de 3 mil vagas tenham sido fechadas, no país o número atingiu 30 mil. Com a urgente necessidade de baratear custos, a mão de obra também está sendo substituída por trabalhadores que moram perto da empresa e, assim, podem se locomover a pé ou usar apenas uma condução. Segundo o Sindicato da Indústria da Panificação em Minas (Amipão), no ano passado, o recuo do faturamento foi de 8%, menor que o tombo geral da indústria de 15% no período.

 

“O momento está complicado e o pessimismo tem influenciado o setor. Neste ano, trabalhamos com a expectativa de atingir o mesmo percentual do ano passado, que já foi de queda”, diz José Batista de Oliveira, presidente da Amipão. Segundo ele, outro recurso utilizado pelo setor tem sido a mudança nos processos de produção, reduzindo os turnos. “Muitos estão optando por usar uma fermentação mais longa, quando o pão é produzido à tarde para ser assado no início da manhã, eliminando assim o turno da noite.”

 

Desde que as padarias deixaram de fabricar apenas o pãozinho de todos os dias e se tornaram uma indústria mais completa de alimentos, produzindo de biscoitos e bolos a comida japonesa e congelados, as máquinas passaram a ocupar maior espaço no segmento. Agora, as horas trabalhadas diminuíram. “Na indústria da panificação, as máquinas são operadas pelo homem. Uma das medidas que o setor está tomando é reduzir as horas trabalhadas”, diz Welson Ladeira, dono da Panecito, instalada na Região Oeste da capital.

 

A redução da demanda começou a ser sentida pelo empresário em agosto de 2013. Há 31 anos no setor, ele decidiu agir rápido com medidas para conter os gastos. A primeira atitude foi cortar os investimentos e diversificar o mix de produtos. A padaria de Welson passou a vender produtos menores para reduzir o custo ao consumidor. Do churrasquinho à comida japonesa, várias novidades foram introduzidas no negócio. Como a crise passou de ameaça a realidade, o quadro de funcionários foi reduzido de 65 empregados em 2014 para 36 em 2015. “Na indústria da panificação, a mão de obra corresponde a 57% do custo da produção.”